Em tempos de rotina acelerada e exposição constante, a ideia de ter tudo sob controle virou quase sinônimo de sucesso. De agendas lotadas a padrões irreais nas redes, o comportamento é reforçado diariamente.
A filósofa norte-americana Martha Nussbaum, hoje aos 79 anos, tem uma reflexão certeira sobre a questão, amplamente compartilhada em discussões sobre saúde mental: “Uma vida boa não busca controlar tudo, mas aprender a conviver com aquilo que não pode dominar”.
A psicóloga Cristina Acebedo, em entrevista à revista "Telva", reformula e aplica à realidade. “Uma vida psicologicamente saudável não consiste em eliminar a incerteza, mas em desenvolver a capacidade de suportá-la sem nos perdermos".
O problema é que essa tentativa de prever cada passo pode gerar o efeito contrário: mais insegurança e frustração diante do inesperado.
Para Martha Nussbaum, viver bem não está ligado ao domínio total das situações, mas à capacidade de lidar com o que foge do controle. A ideia resgata conceitos antigos, como os de Sêneca, e ganha nova força no cenário atual.
Na prática, isso significa aceitar vulnerabilidades sem perder autonomia, um equilíbrio que tem conquistado cada vez mais adeptos.
"Vivemos em uma sociedade que valoriza o planejamento, o desempenho e a eficiência. Os influenciadores postam fotos de suas agendas lotadas nas redes sociais, o que, de certa forma, reforça essa tendência. Essa tendência está mudando, mas ainda persiste", adicionou Acebedo.
Especialistas apontam que o desejo de controle deixa de ser saudável quando impede decisões, gera pensamentos repetitivos e aumenta o medo do erro. Relações pessoais, trabalho e saúde são áreas onde essa pressão costuma se intensificar.
A longo prazo, abrir mão dessa rigidez pode ser desconfortável, mas também essencial para desenvolver resiliência emocional. Para mais conteúdos como este e novidades do universo dos famosos, leia mais artigos do Purepeople!
Conteúdo produzido por Lais Seguin e revisado por Marilise Gomes
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